De origem grega, “doula” significa “mulher que serve”. Assim são caracterizadas as mulheres que auxiliam as mães em processos de pré-parto, parto e pós-parto.
As parturientes, antigamente eram acompanhadas durante todo o parto por mulheres próximas. Essas mulheres eram mães, irmãs e vizinhas mais velhas ou mulheres que já tiveram filhos.
Após o parto ter sido passado para as mãos de médicos, essas mulheres mais experientes foram aos poucos perdendo espaço nesse momento importantes para as mães.
Hoje a equipe de médicos obstetras, enfermeiras e auxiliares de enfermagem são os responsáveis pelos partos.
A função das doulas é auxiliar na respiração correta das mães durante o pré-parto, ajudar na hora de tomar banho, beber água, além de massagens para diminuir a dor. As doulas também orientam como o acompanhante deve se portar para ajudar suas mamães.
As doulas também são responsáveis em auxiliar de forma emocional as mamães do HOB, e quem coordena este trabalho é a enfermeira obstetra Rosângela Cássia Dias Correia Lima.
Rosângela Lima está no HOB há 14 anos e coordena as doulas desde 2005, quando esse trabalho foi implantado no hospital. Em 2006 a Prefeitura de belo Horizonte passou a fazer o trabalho das doulas comunitárias em seis maternidades públicas da capital.
As doulas no HOB chegam a trabalhar seis horas diárias voluntariamente e recebem um auxílio de vale-transporte e direito a refeitório no próprio hospital.
A coordenadora afirma que as doulas não precisam ter cursos. Qualquer mulher que tenha tempo para doar um pouco de experiência às mães do HOB pode fazer sua inscrição.
Outro requisito solicitado para ser uma doula é de que essas mulheres já tenham filhos, por causa da experiência de cada uma, Rosangela também diz que não há limite de idade.
Para que as mulheres possam fazer suas inscrições, devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde, nos centros de saúde ou pelo telefone do SOS Saúde (3277-7772).
Para ter sempre uma doula no HOB, Rosângela queria ter uma disponível em qualquer horário. “Eu queria que tivesse doulas durante à noite, mas não há espaço para o descanso delas”, explica Rosangela.
Para ser uma doula no HOB as mulheres inscritas passam por um processo de triagem e, depois de serem selecionadas, são realizadas capacitações como, por exemplo, exercícios respiratórios, massagem de alívio de dores e a utilização das bolas bobat. Com essas bolas as mães fazem o exercício sentado em cimas delas para auxiliá-los no relaxamento do períneo.
Rosângela ainda pede para que os profissionais da saúde nessa área orientem essas mamães sobre a importância desse trabalho, um exemplo disso é a busca pela melhor posição na hora do parto. “O corpo da própria mulher responde melhor na hora do parto quando ela está melhor preparada”, afirma Rosângela, acrescentando que as doulas não exercem a função dos médicos.
SEMPRE PRONTAS A AJUDAR
Elas estão à disposição para ajudar as mamães em um momento importante da vida, a hora de se preparar para o parto. As doulas são amigas fiéis dentro do HOB nesse momento complicado.
Uma dessas mulheres é Izabel Miranda, 61, e há um ano e meio DOULA no HOB.
Isabel, hoje aposentada, resolveu se inscrever para o projeto para não ficar em casa parada, e o marido não se importou. “Se fosse para ir a um forró, ele brigaria comigo”, brinca.
Isabel ficou sabendo das Doulas por meio de rádio e ligou para a prefeitura. Ela então foi encaminhada para a maternidade Sofia Feldman onde fez o treinamento.
Após cinco dias de treinamento, ela começou a trabalhar no HOB. Ela sabe bem a importância das doulas. Hoje Izabel é mãe de dois filhos e tem uma neta de dois anos e, com experiência de sobra, aceitou o desafio. “Eu fico feliz quando posso ajudar uma mãe”, explica.
Isabel tem seu expediente somente às segundas-feiras, no período da tarde, entre 13h e 19 horas, e não se importa se precisar passar de seu horário, muito pelo contrário, para ela é muito satisfatório.
Mas nem tudo foi tranqüilo para Isabel. No início ela teve dificuldades e chegou a faltar um pouco de confiança por parte da equipe médica. Porém, nada que um curto espaço de tempo não desse jeito.
Hoje, Isabel é bem aceita por todos e tem a confiança das mamães que vem “dar a luz” no HOB.
Ela nem pensa em deixar o HOB, Izabel pretende ficar por muito tempo. “Pretendo continuar como doula até ficar idosa”, explica.
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