segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Conselho Local de Saúde contribui para a Humanização do HOB entre funcionários e usuários

O início e seus resultados

O Conselho Local de Saúde do Hospital Municipal Odilon Behrens (HOB) foi recriado em 2003. A iniciativa de retomar as atividades do conselho fez parte do processo de co-gestão implantado pela atual diretoria a partir daquele mesmo ano.Desde então, a presidência do conselho está nas mãos de Rodrigo dos Santos Cesário, conhecido por todos como Digão.

O Conselho Local de Saúde do HOB é formado por 25% de gestores (gerente, coordenadores e diretoria) , 25% de trabalhadores (funcionários efetivos e terceirizados) e 50% de usuários.

A função do Conselho, segundo Digão, é atuar dentro de cada unidade do HOB em busca de melhores condições de trabalho e também melhorar o atendimento humanizado aos usuários.

O trabalho não pára por aí, na primeira segunda-feira de cada mês é realizada uma reunião com todos os integrantes do conselho quando são discutidos os problemas detectados no hospital. Semestralmente, o conselho também recebe um relatório da Ouvidoria do HOB, com as críticas, sugestões e elogios dos usuários e faz uma análise da situação, propondo mudanças e melhorias. Mensalmente, o presidente do conselho também participa da reunião da Ouvidoria, vendo de perto os principais problemas apresentados. Em contrapartida, o conselho também faz sua prestação de contas semestralmente. De seis em seis meses a diretoria do Hospital apresenta o balanço de suas atividades e anualmente o balanço econômico. Todas as informações são discutidas e as observações feitas pelos conselheiros.

A escolha dos membros do Conselho Local de Saúde é feita por meio de uma plenária na sede do Conselho Municipal (avenida Afonso Pena, 2.336), onde acontece a eleição. A escolha é feita com a apresentação dos candidatos que se inscreveram nos conselhos locais mais próximos de suas comunidades.Nesses cinco anos de prestação de serviço no conselho, Digão pôde perceber a importância do trabalho realizado no hospital. "O trabalho do conselho traz benefícios para o usuário e para o trabalhador, além de valorizar o dinheiro público que é investido no hospital", defende.

O Conselho Local conseguiu várias melhorias no HOB e fora dele. Só para se ter uma idéia, foi por meio da equipe de conselheiros que o estacionamento em frente à entrada principal teve a alteração do para 45 graus. Na entrada do pronto-socorro, onde foram conquistadas melhorias no trânsito local, com a colocação de novas placas de sinalização, também foi um trabalho do conselho. Mas as atividades do conselho foram muito mais além.

Setores melhor informatizados e equipados

O ambulatório recebeu um novo aparelho para encefalograma, cadeira de consulta de otorrino, mais dois técnicos em enfermagem solicitados para o Centro de Especialidades Médica (CEM). No Ambulatório funcionam dois desses CEM. O da Pampulha e o da Noroeste. O CEM Noroeste atende a moradores do entorno do Hospital, como os do bairro Santo André, Bonfim, São Cristóvão e Pedreira Prado Lopes. Esta conquista foi uma luta do Conselho Local de Saúde.

Da mesma forma, a melhoria nas guaritas, como a reforma do banheiro da guarita principal e insufilme nos vidros para melhor comodidade dos seguranças também foram obras conquistadas pelo conselho junto à Diretoria Administrativo-Financeira.

No refeitório foi solicitado que os funcionários colocassem para o atendimento das refeições, proporcionando assim mais higiene ao serviço. O refeitório também recebeu a catraca eletrônica e grade de proteção nas janelas na parte da cozinha.

O berçário também foi beneficiado com o "Projeto Cartório Fácil". Este serviço funciona terças e sextas-feiras, e facilita os pais na hora de registrar seus bebês. Os pais são levados até o cartório mais próximo e trazidos de volta novamente pelo transporte do próprio HOB. Com isso, nenhuma criança nascida no HOB fica sem a sua Certidão de Nascimento.

Força nova para ajudar

Assim como a superintendente Susana Rates e o presidente do CLS, Rodrigo Cesário, Charles concorda com a importância do trabalho do conselho para o hospital e seus trabalhadores e usuários. "Este trabalho facilita o contato do usuário com o hospital", argumenta. Charles já participou de três reuniões desde a sua chegada ao conselho e já destaca, dentre as ações que observou, a interação do CLS do HOB com outros conselhos de saúde de outros hospitais.

Charles lamenta a não existência de um espaço físico para o conselho, o que segundo ele daria mais conforto e privacidade para os membros discutirem suas ações. Para ele, o conselho precisa saber o que acontece dentro do hospital para poder colaborar com as atividades de maneira mais eficaz. "Estou muito animado, mas acho que precisamos de uma sala para atendermos o usuário entre outras coisas", explica Charles Souza.

Mesmo há apenas seis meses no Hospital Municipal Odilon Behrens (HOB), o assistente administrativo Charles Sousa, é um participante assíduo no Conselho Local de Saúde – CLS – já há três meses. Ele é atualmente um dos representantes dos trabalhadores no órgão.

sábado, 22 de novembro de 2008

Responsabilidade para gerenciar

A Unidade da Maternidade do HOB tem grande responsabilidade com as mães e seus filhos. Isso se deve aos programas que são realizados no próprio hospital, como o das Mães canguru e o das Doulas.
O médico Carlos Senra é o gerente da assistência à mulher. Funcionário do HOB há 29 anos, gerencia há cinco anos a unidade. Experiência de sobra para encarar o desafio.

A Unidade da Maternidade também tem a missão de orientar a mulher no planejamento familiar, dar assistência àquelas vítimas de violência, trabalhar na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e oferecer acompanhamento psicológico.

O gerente faz questão de ressaltar que a maternidade do HOB é referência em Belo Horizonte, isso se deve aos atendimentos humanizados no hospital.

Manter esse padrão tem sido um dos principais desafios para Senra nos últimos anos. Só para se ter uma idéia, o parto humanizado está de acordo com o projeto do Ministério da Saúde e recomendado pela Secretaria Municipal de saúde.

Toda essa responsabilidade é resultado de uma adaptação de toda a equipe, como por exemplo, a capacitação com o Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia (ASLO – em inglês), da qual participou médicos e enfermeiros da unidade.

E não demorou a dar resultados. Segundo Carlos Senra, houve uma considerável redução de taxa de nascimentos por cesariana, é fruto da conscientização da equipe em mostrar para as mães o quanto é importante priorizar o parto normal.

Mas, as novidades não param por aí. Houve também a abertura da maternidade para o acompanhante da mãe, integração de doulas na equipe e liberdade para as mães em relação a melhor posição nos leitos ou na sala de pré-parto.

Outro ponto positivo destacado pelo gerente foi o aumento da equipe de trabalhadores da unidade. “Nos últimos cinco anos recebemos mais sete novos funcionários concursados, isso acabou contribuindo para o crescimento da equipe”, afirma.Segundo Carlos Senra, houve também o crescimento do número de partos, aumentando de 150 para 230 por mês, nos últimos cinco anos, além da redução do número de permanência das mães e dos índices de infecção hospitalar.

Doulas do HOB

De origem grega, “doula” significa “mulher que serve”. Assim são caracterizadas as mulheres que auxiliam as mães em processos de pré-parto, parto e pós-parto.
As parturientes, antigamente eram acompanhadas durante todo o parto por mulheres próximas. Essas mulheres eram mães, irmãs e vizinhas mais velhas ou mulheres que já tiveram filhos.
Após o parto ter sido passado para as mãos de médicos, essas mulheres mais experientes foram aos poucos perdendo espaço nesse momento importantes para as mães.

Hoje a equipe de médicos obstetras, enfermeiras e auxiliares de enfermagem são os responsáveis pelos partos.

A função das doulas é auxiliar na respiração correta das mães durante o pré-parto, ajudar na hora de tomar banho, beber água, além de massagens para diminuir a dor. As doulas também orientam como o acompanhante deve se portar para ajudar suas mamães.

As doulas também são responsáveis em auxiliar de forma emocional as mamães do HOB, e quem coordena este trabalho é a enfermeira obstetra Rosângela Cássia Dias Correia Lima.
Rosângela Lima está no HOB há 14 anos e coordena as doulas desde 2005, quando esse trabalho foi implantado no hospital. Em 2006 a Prefeitura de belo Horizonte passou a fazer o trabalho das doulas comunitárias em seis maternidades públicas da capital.

As doulas no HOB chegam a trabalhar seis horas diárias voluntariamente e recebem um auxílio de vale-transporte e direito a refeitório no próprio hospital.
A coordenadora afirma que as doulas não precisam ter cursos. Qualquer mulher que tenha tempo para doar um pouco de experiência às mães do HOB pode fazer sua inscrição.

Outro requisito solicitado para ser uma doula é de que essas mulheres já tenham filhos, por causa da experiência de cada uma, Rosangela também diz que não há limite de idade.
Para que as mulheres possam fazer suas inscrições, devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde, nos centros de saúde ou pelo telefone do SOS Saúde (3277-7772).
Para ter sempre uma doula no HOB, Rosângela queria ter uma disponível em qualquer horário. “Eu queria que tivesse doulas durante à noite, mas não há espaço para o descanso delas”, explica Rosangela.

Para ser uma doula no HOB as mulheres inscritas passam por um processo de triagem e, depois de serem selecionadas, são realizadas capacitações como, por exemplo, exercícios respiratórios, massagem de alívio de dores e a utilização das bolas bobat. Com essas bolas as mães fazem o exercício sentado em cimas delas para auxiliá-los no relaxamento do períneo.
Rosângela ainda pede para que os profissionais da saúde nessa área orientem essas mamães sobre a importância desse trabalho, um exemplo disso é a busca pela melhor posição na hora do parto. “O corpo da própria mulher responde melhor na hora do parto quando ela está melhor preparada”, afirma Rosângela, acrescentando que as doulas não exercem a função dos médicos.


SEMPRE PRONTAS A AJUDAR

Elas estão à disposição para ajudar as mamães em um momento importante da vida, a hora de se preparar para o parto. As doulas são amigas fiéis dentro do HOB nesse momento complicado.
Uma dessas mulheres é Izabel Miranda, 61, e há um ano e meio DOULA no HOB.

Isabel, hoje aposentada, resolveu se inscrever para o projeto para não ficar em casa parada, e o marido não se importou. “Se fosse para ir a um forró, ele brigaria comigo”, brinca.
Isabel ficou sabendo das Doulas por meio de rádio e ligou para a prefeitura. Ela então foi encaminhada para a maternidade Sofia Feldman onde fez o treinamento.

Após cinco dias de treinamento, ela começou a trabalhar no HOB. Ela sabe bem a importância das doulas. Hoje Izabel é mãe de dois filhos e tem uma neta de dois anos e, com experiência de sobra, aceitou o desafio. “Eu fico feliz quando posso ajudar uma mãe”, explica.

Isabel tem seu expediente somente às segundas-feiras, no período da tarde, entre 13h e 19 horas, e não se importa se precisar passar de seu horário, muito pelo contrário, para ela é muito satisfatório.
Mas nem tudo foi tranqüilo para Isabel. No início ela teve dificuldades e chegou a faltar um pouco de confiança por parte da equipe médica. Porém, nada que um curto espaço de tempo não desse jeito.

Hoje, Isabel é bem aceita por todos e tem a confiança das mamães que vem “dar a luz” no HOB.
Ela nem pensa em deixar o HOB, Izabel pretende ficar por muito tempo. “Pretendo continuar como doula até ficar idosa”, explica.

Método mãe canguru contribui para ajudar no crescimento do bebê

O método mãe canguru foi criado em 1979 pelos médicos Eric Martinez e Edgard Reis, na cidade de Bogotá, na Colômbia, com a idéia de diminuir a mortalidade neonatal naquele país.
O método é um tipo de assistência baseada por meio de contato pele a pele, entre mãe e filho prematuramente recém-nascido e com baixo peso.
O mãe canguru teve seu início no Brasil em 1991. O HOB adotou esse método em 2000 por uma equipe interdisciplinar do próprio hospital.

A doutora Maria Cristina Aranha está no HOB há 23 anos, é a responsável pela implantação e o acompanhamento do método hospital.

Cristina Aranha afirma que com o Método Mãe Canguru, a criança ganha peso, a mãe fica menos tempo no hospital e ainda estimula o aleitamento. Maria Cristina conta também que o corpo da mãe ainda serve como incubadora, já que o contato entre mãe e bebê é direto. “Quanto mais precoce é o contato entre mãe e filho, maior é o vínculo afetivo entre eles”, explica a médica.

No início o bebê ainda precisa de cuidado intensivo e não pode ter o contato com a mãe, chamado de etapa de sensibilização. Durante esse período a mãe recebe orientação para ordenhar de forma manual para o banco de leite e com isso o bebê passa a ser amamentado por meio de uma sonda.

Cristina Aranha diz que a mãe pode fazer isso todos os dias, já que se ficar sem ordenhar por muito tempo, o leite já estocado no banco acaba secando.
Outra etapa explicada pela médica é quando a mãe é convidada para ficar na enfermaria canguru. Isso ocorre quando o bebê atinge mais de 1.250 gramas e pode ser amamentado diretamente no peito.

Nessa etapa a mãe aprende a cuidar de seu bebê e pode aguardar a criança atingir a 1.600 gramas. Após o bebê atingir o peso ideal, a mamãe recebe alta e pode levar o filho para a casa.

A pediatra afirma que esta etapa é uma das mais importantes, pois a mãe e o bebê criam o afeto bem cedo, necessário para reduzir a probabilidade de abando e maus tratos futuros. “Nessa etapa é trabalhado na mãe o seu melhor desenvolvimento neuropsicomotor, que são as partes neurológicas, psicológicas e movimentos”, afirma Maria Cristina Aranha.

Super Bercário do HOB

Com a missão de zelar pelos recém-nascidos que necessitam de cuidados especiais, o HOB tem uma equipe médica capaz de atender a todas as exigências que um trabalho como este demanda.
A Unidade de Cuidados Progressivos Neonatal (UCPN) reúne os profissionais que cuidam do bebê desde o seu nascimento até a alta hospitalar.

A Médica Neliana Temponi, é a responsável pela unidade. Com experiência de mais de 20 no HOB, ela assumiu a coordenação da unidade em 2003. De lá para cá, ela conta que vem seguindo as diretrizes do SUS e, em especial, do Humaniza SUS, buscando a melhoria do atendimento e a valorização do usuário.

A lógica da humanização na unidade segue a idéia de que o bebê é um verdadeiro presente para os pais e o restante da família e, sendo assim, nenhum dos adultos próximos à criança podem ser ignorados no atendimento.
Segundo Neliana, a unidade cuida dos bebês de risco, nem sempre prematuros, mas também de crianças com má formação congênita. "A unidade procura não deixar afetar o desenvolvimento dos bebês”, explica Neliana.

Quando os bebes estão em estado mais agudo, eles são encaminhados para o CTI Infantil. Quando apresentam melhoras, são encaminhados para o Projeto Mãe canguru, onde ficam junto as mães a maior parte do tempo até receberem alta para casa. Os pequenos pacientes que recebem alta continuam com acompanhamento pela equipe do berçário.

Os bebês com dificuldades de alimentação, que não conseguem amamentar sozinhos (puxar o leite da mãe), se alimentam por meio de sondas.

Na UCPN todo trabalho feito de maneira interdisciplinar, ou seja, profissionais de diversas áreas, como medicina, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e assistência social, dentre outros, trabalham com o mesmo objetivo: atender bem às crianças e apoiar seus familiares.

Na unidade, os bebês são examinados sistematicamente para que a evolução de sua saúde seja rápida e eficiente. Lá eles são cuidados em sua visão, audição, desenvolvimento motor e todos, dependendo do tempo em que ficarem no hospital, fazem também o tradicional teste do pezinho e da orelhinha, além de receberem vacinas.

A mãe também recebe atenção especial quando está como seu filho, ela recebe apoio de assistentes sociais, enfermeiras e psicólogos para o que necessitam para cuidar bem de seus bebês mesmo após o período de internação.